DOCE ENCONTRO

Há mais ou menos dois anos eu estava aqui. Enquanto eu lia lá no Brasil a matéria na revista Vida Simples que falava sobre a peculiar Schumacher College – “a escola do pequeno e belo”, eu me sentava em frente a lareira de sua velha biblioteca,  junto com meus colegas de Ciências Holísticas. As lágrimas caíram assim que meus olhos receberam  a imagem daquela mesa, ao ar livre, onde no meu lugar estava a minha ausência. A foto na matéria e eu fora dela. Como um grande amor partido. Um conto não vivido.

Hoje, como parte desse lugar, eu celebro o encontro de dois tempos que coexistiram. Estudo a nova ciência que enxerga a união entre o o indivíduo, a natureza e a sociedade, através da observação que inclui o pensamento, sentimento, intuição e sensação. Os colegas representam o mundo e as lindas mudanças em andamento. O lugar tem a energia do movimento.

Sala de meditação aberta, 7h da manhã tudo começa. Depois, o primeiro encontro é as 8h30 na “morning meeting”, onde a equipe de funcionários, voluntários e estudantes se reúnem para sintonizar uns com os outros em relação às atividades do dia. Uma mensagem pra aquecer a alma e um exercício pra mexer com o corpo. Acaba a reunião vai cada um para suas atividades. Limpeza das acomodações, jardinagem, fazer comida, organizar a cozinha do café da manhã. Entre diretores, professores, profissionais disso ou daquilo, os rótulos se perdem e todos trabalham em harmonia. Os alimentos são colhidos nas hortas que imitam o modelo de pequenas florestas, e o que não se produz aqui é comprado de produtores locais, sempre orgânico – claro. O que não é da época de cultivo, não se come e nenhum animal morto se consome. É assim, respeitando os ciclos da natureza e interagindo com ela que passamos a ser parte do todo, exatamente como temos aprendido na sala de aula. Do lado de fora, a sala de artes: tinta, argila, aquarela e vários itens que seriam desperdiçados ganham vida através de quem quiser se experimentar artista.

Às terças-feiras é dia de documentário. Há sempre muito o que aprender pelas lentes das câmeras, e a aconchegante “TV Room” vira nosso abrigo por algumas horas. Chegou a quinta-feira! É dia de Sarau. Cantos, poemas, teatro, dança. Qualquer forma de expressão é válida e a criatividade enche a escola. Velas embelezam o ambiente e o baú de fantasias veste cada um dos participantes com muita extravagância. O vinho local dá coragem aos mais tímidos. Aos fins de semana, as bicicletas são as mais concorridas. Tudo por uma pedalada até a cidade de Totnes, a uns 30 minutos da escola. As lojas de produtos “verdes”, livros, discos, velas artesanais, cafés orgânicos e outros mais. Além disso, sempre muitos eventos na cidade que é exemplo no mundo, criadora do movimento Transition Towns. Ah, em noite Lua Cheia, nadar na água limpa e gelada do rio é o desafio. E todos os dias, o cuidado, o amor e a harmonia nos acordam e nos guiam. A gente aprende nos livros e com essa família  linda .

Eu agradeço ao universo de possibilidades eminentes a nossa existência, que se constroem a cada escolha. Uma mistura de renúncias, passos decididos e muitos pedidos. O meu sincero amor a todos os que clarearam o meu caminho para que esse novo mundo fosse se abrindo.

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  1. Oi Juliana! Antes de mais nada, fiquei muito feliz percorrendo teu blog! Me passou muita verdade e inspiração! Obrigada! É isso aí!! Por intermédio de um amigo, troquei alguns e-mails com a Cristiane Assis sobre minha intenção (sonho, meta, missão, etc.. rsrs) de fazer o curso sobre alfabetização ecológica da Schumacher College. Penso em fazer inglês (que o meu é tupiniquim) e juntar uma grana para estar por aí ano que vem (ou até semestre que vem, quem sabe?). Trocando alguns e-mails com a Schumacher, decidi que necessito de uma bolsa de estudos para poder cursar. Por isso, a Cristiane me passou teu contato, pois gostaria de saber contigo se tu achas muito difícil que eu consiga este apoio (que teria que ser integral). Já estou juntando as cartas de uma professora da Puc Campinas e de uma Monja para quem estive trabalhando. Só de ler o que tu escreveu sobre tua experiência já foi ainda mais forte a certeza de que essa porta está me esperando já aberta.. Morei por 4 meses em uma ecovila e trabalho com ecologia profunda há algum tempo. Sinto que o caminho é este, e a via é de dentro para fora (se é que estão separados..hehe), e que preciso me fortalecer nas experiências, vivências e argumentos para atuar como um instrumento melhor. Enfim, gostaria de conversar contigo sobre isso… mas qualquer dica já está valendo! Obrigada e boas transições! Sempre! Clarissa.

  2. Ju, arrepiei!!! Engraçado como temos histórias parecidas 🙂
    Vc precisa conhecer a Gi (jornalista q escreveu a matéria)! Aliás, vc a conheceu no jantar, certo?!
    Logo mais estarei aí, matando a sdd deste lugar, e contemplando os infinitos privilégios…
    Beijo grande!

  3. Ju querida, pude sentir novamente a emoção de estar aí. Estou pensando em voltar, seja para fazer um curso, ficar em Totnes ou vivenciar o concorrido voluntariado. Agora tenho tempo de novo, mas precisarei do $$. Tudo se resolve. Obrigada por ter me mostrado este caminho no meu sabático. Schumacher e Índia marcaram o tempo que me dei de presente. beijos, te amo, saudades

  4. Olha a coincidência, também me chamo Juliana. rs Achei seu blog por acaso, enquanto estava pesquisando sobre o curso da Schumacher College. Estou pensando em aplicar esse ano. Vc ainda estuda lá ou já terminou? Se pudéssemos trocar uma ideia, seria ótimo. Queria saber mais da tua experiência, já que, até então, não conhecia nenhum brasileiro que tivesse feito. abs

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